quarta-feira, 20 de julho de 2016

O temer do golpe

Bem, acho que tudo o que envolve todo o cotidiano social envolve ao mesmo tempo Serviço Social, se não tudo, pelo menos em sua maioria. Atualmente vivenciamos um cenário político entristecedor, no que concerne a esse tramite do golpe, podemos observar uma retomada do neoconservadorismo reacionário bravejado pelo então presidente interino Michel Temer.

Talvez, esse PT dos anos 2000 esteja pagando o preço daquela aliança feita na eleição de 2002 coligando com o PMDB do então empresário José de Alencar, candidato a vice-presidente pelo próprio partido. A chapa era composta pelo então "revolucionário" Luiz Inácio Lula da Silva, agora engravatado, porém ainda um metalúrgico. De viés revolucionário, o PT anterior à chegada ao poder tinha raiz de fato esquerda, todavia, a esquerda petista perdeu-se pelo meio do caminho. Abraçou os projetos neoliberais que já estavam sendo iniciados nos anos anteriores com FHC. Contudo, avanços foram sinalizados. O Brasil avançou quanto à educação publica superior, programou o contestado pela classe burguesa, como também pela classe média, o Bolsa Família ou bolsa esmola como queiram os reacionários e além desses benefícios, criaram o Minha Casa Minha Vida, programa que realizou o sonho da casa própria de muitos trabalhadores, como também encheu os cofres bancários.

Pois bem, não estou aqui para fazer programa de governo, mas sim para relatar o quão é entristecedor e antidemocrático o cenário político em que vivemos. Cortes na educação, na assistência, na previdência já deram as caras, entretanto, nessa contramão o judiciário recebe aumento de mais de 40% em suas folhas salariais. E nesse percorrer quem paga o pato mais uma vez é o trabalhador assalariado, que por sua vez, ludibriado pela mídia golpista marca presença na Av. Paulista pedindo a saída da presidenta eleita democraticamente Dilma Rousseff, de fato não sabiam o que os esperava. Recentemente, foi levantada a hipótese de aumentar a carga horaria de trabalho, que semanalmente chega às 40 horas de trabalho, em sua maioria, na teoria, para que fosse aumentada para 80 horas semanais, essa medida é apenas mais uma das muitas medidas conservadoras/elitistas propostas pelo governo golpista de Temer. Além desse aumento na labuta diária do trabalhador, há indícios de mudança no SUS, como mesmo Ministro falou: "É preciso enxugar o SUS". Logo, pode-se observar o desmonte que está havendo pouco a pouco pelo governo interino, porém, é preciso lembrar que pareceres jurídicos já inocentam a presidenta de crimes de responsabilidade fiscal, o que só demostra a complexidade do golpe que está em seu estágio final.

     Além dessas “baboseiras” que vos falo, ainda remando lado a lado do golpe e contribuindo para que o mesmo se perpetue, está a maior operação “contra corrupção” que esse país já viu, a operação lava a jato. Nesse caso, para ser inocente basta fazer oposição ao Partido dos Trabalhadores, afinal, o importante é tirar o PT, mesmo se o preço for ter Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados, vulgo o "malvado favorito" de muitos por aí. Com efeito, é preciso ratificar o poder que a democracia possui lutar contra o golpe é lutar a favor da classe trabalhadora, que, quer queira quer não ganhou espaço nos governos petistas. Ser contra o golpe não o faz petista, ou esquerdista, ser contra o golpe o faz um cidadão que respeita o resultado das urnas, que luta pela democracia, pelos direitos daqueles que sustentam todas as tetas que os políticos mamam incessantemente, a classe trabalhadora.  

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Igualdade, liberdade e fraternidade, eis a afirmação máxima da revolução burguesa. Peco-lhe um pouco de vossa atenção sobre a referida demagogia. A revolução francesa ou burguesa como queira chamar, foi eclodida no seio do sistema feudal que não aguentava o peso do seu próprio corpo. A terra, principal forma de exploração e criação de riqueza e poder desse sistema, exauriu-se. Segundo Mazzeo (2015, pág. 36) "A desagregação do trabalho servil e o surgimento das manufaturas convertem todas essas formas de produção; em atividades capitalistas; consequentemente, os trabalhadores livres situados fora das guildas passam a ser assalariados".
 Com o feito de levar a fraternidade, a igualdade e a liberdade a todos, a burguesia assume o posto que antes possuía ao poder absoluto dos reis. Mudam-se apenas os nomes, o rei do absolutismo foi substituído pelo Estado burguês que agora começa a jogar a seu favor, colocando de lado todo o emblemático slogan posto na revolução. Para isso, podemos destacar que a igualdade social, econômica e política passaram longe de impetrar-se no Estado Burguês, antes, os reis juntamente com o clero comandavam a economia bem como todo e qualquer passo importante que o Estado pudesse dar, agora os grandes burgueses detêm o poder do mando. A liberdade proposta pela burguesia foi meramente mercadológica, pois se resumiu em efetivar o livre mercado que mais tarde será peça chave para a monopolização do capital que fora oriundo da livre concorrência proposta pelo capitalismo. Contudo, além do livre mercado, a burguesia trouxe em sua bandeira, o trabalhador assalariado. Essa forma de trabalho representa a principal peça para o alcance da taxa de lucro desejável, pois é através da mesma que o burguês acumula capital mantendo assim seu império.
 Diante disso, fomenta-se nesse instante, com a intensificação da produção, como também a formação de grandes exércitos industriais, a relação conflituosa que irá contrapor-se a fraternidade proposta pela burguesia. É apresentada ao trabalhador "livre" a relação não igualitária, injuriante e conflituosa, Capital x Trabalho. Essa relação perdura-se até os dias de hoje, suas consequências atingem justamente aquele tudo produz, o trabalhador. Desse modo, essa tomada demasiada do poder por parte da burguesia atenua a luta de classes presente em todas as formas de organizações socioeconômicas já existentes, logo Marx e Engels (1999, pág. 7) afirmam "A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história de lutas de classes". Antes, senhor feudal X servos, agora burgueses X proletariados. Opressores X oprimidos. E ai, liberdade, igualdade e fraternidade?

Referências bibliográficas:

MAZZEO, Antônio Carlo. Estado e Burguesia no Brasil: origens da autocracia burguesa. 3ed. São Paulo: Boitempo, 2015.

MARX & ENGELS. O Manifesto Comunista. Ed. eletrônica. Ridendo Castigat Mores. 1999.

NETTO & BRAZ. Economia Política: uma introdução crítica. São Paulo: Cortez, 2006.