Igualdade, liberdade e fraternidade,
eis a afirmação máxima da revolução burguesa. Peco-lhe um pouco de vossa
atenção sobre a referida demagogia. A revolução francesa ou burguesa como
queira chamar, foi eclodida no seio do sistema feudal que não aguentava o peso
do seu próprio corpo. A terra, principal forma de exploração e criação de
riqueza e poder desse sistema, exauriu-se. Segundo Mazzeo (2015, pág. 36) "A
desagregação do trabalho servil e o surgimento das manufaturas convertem todas
essas formas de produção; em atividades capitalistas; consequentemente, os
trabalhadores livres situados fora das guildas passam a ser assalariados".
Com o feito de levar a fraternidade, a igualdade e a liberdade a todos,
a burguesia assume o posto que antes possuía ao poder absoluto dos reis.
Mudam-se apenas os nomes, o rei do absolutismo foi substituído pelo Estado
burguês que agora começa a jogar a seu favor, colocando de lado todo o
emblemático slogan posto na revolução. Para isso, podemos destacar que a
igualdade social, econômica e política passaram longe de impetrar-se no Estado
Burguês, antes, os reis juntamente com o clero comandavam a economia bem como
todo e qualquer passo importante que o Estado pudesse dar, agora os grandes
burgueses detêm o poder do mando. A liberdade proposta pela burguesia foi
meramente mercadológica, pois se resumiu em efetivar o livre mercado que mais
tarde será peça chave para a monopolização do capital que fora oriundo da livre
concorrência proposta pelo capitalismo. Contudo, além do livre mercado, a
burguesia trouxe em sua bandeira, o trabalhador assalariado. Essa forma de
trabalho representa a principal peça para o alcance da taxa de lucro desejável,
pois é através da mesma que o burguês acumula capital mantendo assim seu
império.
Diante disso, fomenta-se nesse instante, com a
intensificação da produção, como também a formação de grandes exércitos
industriais, a relação conflituosa que irá contrapor-se a fraternidade proposta
pela burguesia. É apresentada ao trabalhador "livre" a relação não igualitária, injuriante e conflituosa, Capital x Trabalho. Essa relação
perdura-se até os dias de hoje, suas consequências atingem justamente aquele
tudo produz, o trabalhador. Desse modo, essa tomada demasiada do poder por
parte da burguesia atenua a luta de classes presente em todas as formas de
organizações socioeconômicas já existentes, logo Marx e Engels (1999, pág. 7)
afirmam "A história de todas as sociedades que existiram até
nossos dias tem sido a história de lutas de classes". Antes,
senhor feudal X servos, agora burgueses X proletariados. Opressores X
oprimidos. E ai, liberdade, igualdade e fraternidade?
Referências bibliográficas:
MAZZEO, Antônio Carlo. Estado e
Burguesia no Brasil: origens da autocracia burguesa. 3ed. São Paulo:
Boitempo, 2015.
MARX & ENGELS. O Manifesto
Comunista. Ed. eletrônica. Ridendo Castigat Mores. 1999.
NETTO & BRAZ. Economia
Política: uma introdução crítica. São Paulo: Cortez, 2006.
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