quarta-feira, 6 de julho de 2016

Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Igualdade, liberdade e fraternidade, eis a afirmação máxima da revolução burguesa. Peco-lhe um pouco de vossa atenção sobre a referida demagogia. A revolução francesa ou burguesa como queira chamar, foi eclodida no seio do sistema feudal que não aguentava o peso do seu próprio corpo. A terra, principal forma de exploração e criação de riqueza e poder desse sistema, exauriu-se. Segundo Mazzeo (2015, pág. 36) "A desagregação do trabalho servil e o surgimento das manufaturas convertem todas essas formas de produção; em atividades capitalistas; consequentemente, os trabalhadores livres situados fora das guildas passam a ser assalariados".
 Com o feito de levar a fraternidade, a igualdade e a liberdade a todos, a burguesia assume o posto que antes possuía ao poder absoluto dos reis. Mudam-se apenas os nomes, o rei do absolutismo foi substituído pelo Estado burguês que agora começa a jogar a seu favor, colocando de lado todo o emblemático slogan posto na revolução. Para isso, podemos destacar que a igualdade social, econômica e política passaram longe de impetrar-se no Estado Burguês, antes, os reis juntamente com o clero comandavam a economia bem como todo e qualquer passo importante que o Estado pudesse dar, agora os grandes burgueses detêm o poder do mando. A liberdade proposta pela burguesia foi meramente mercadológica, pois se resumiu em efetivar o livre mercado que mais tarde será peça chave para a monopolização do capital que fora oriundo da livre concorrência proposta pelo capitalismo. Contudo, além do livre mercado, a burguesia trouxe em sua bandeira, o trabalhador assalariado. Essa forma de trabalho representa a principal peça para o alcance da taxa de lucro desejável, pois é através da mesma que o burguês acumula capital mantendo assim seu império.
 Diante disso, fomenta-se nesse instante, com a intensificação da produção, como também a formação de grandes exércitos industriais, a relação conflituosa que irá contrapor-se a fraternidade proposta pela burguesia. É apresentada ao trabalhador "livre" a relação não igualitária, injuriante e conflituosa, Capital x Trabalho. Essa relação perdura-se até os dias de hoje, suas consequências atingem justamente aquele tudo produz, o trabalhador. Desse modo, essa tomada demasiada do poder por parte da burguesia atenua a luta de classes presente em todas as formas de organizações socioeconômicas já existentes, logo Marx e Engels (1999, pág. 7) afirmam "A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história de lutas de classes". Antes, senhor feudal X servos, agora burgueses X proletariados. Opressores X oprimidos. E ai, liberdade, igualdade e fraternidade?

Referências bibliográficas:

MAZZEO, Antônio Carlo. Estado e Burguesia no Brasil: origens da autocracia burguesa. 3ed. São Paulo: Boitempo, 2015.

MARX & ENGELS. O Manifesto Comunista. Ed. eletrônica. Ridendo Castigat Mores. 1999.

NETTO & BRAZ. Economia Política: uma introdução crítica. São Paulo: Cortez, 2006.

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